quinta-feira, 6 de abril de 2017

Humilhação desnecessária

Lembrei-me desta história nem sei bem porquê. Dei por mim a recordar os sentimentos que tive nesse dia e, apesar de não ser nada por aí além, senti-me mesmo muito humilhada. A humilhação não é dos sentimentos que costumo ter muitas vezes, mas quando vem de alguém que se mostra ser outra pessoa do que aquilo que realmente pensávamos, só torna as coisas mais dolorosas.


Tudo começa numa amizade que tinha no meu ano de caloira. Durante 3 anos da minha vida, considerei aquele rapaz um dos melhores amigos que podia ter. Vamos chamar-lhe Tiago. Ele sabia tudo o que se andava a passar na minha vida e eu sabia tudo o que se passava na dele. Cada um de nós apoiava e aconselhava o outro o melhor que podia. Via nele uma pessoa com quem podia contar para tudo mesmo. 

Andávamos sempre os dois juntos para todo o lado. Tínhamos as mesmas aulas, íamos almoçar juntos, fazíamos sempre os trabalhos juntos e sempre nos entendemos muito bem. Nunca tivemos problemas nenhuns em termos de estudo, sempre nos demos bem como grupo de trabalho. 


A certa altura, ele fez amizade com dois rapazes e até aí nada de problemático. Os problemas começaram quando esses dois rapazes deixaram de ir com a minha cara. Nunca percebi muito bem porquê, eu não gosto de fazer mal a ninguém, não lhes ia fazer mal nenhum.

A minha amizade com o Tiago era automática, ou seja, a gente nem se apercebia muito bem disso, mas onde um estava, o outro estava lá também de certeza. O Tiago chegava atrasado a uma aula, se eu já lá estivesse, era certinho que se ia sentar ao meu lado e vice-versa. Isto era tão automático que mesmo estando com muita gente à volta, tínhamos que estar sempre ao pé um do outro. 

E acho que foi isso que começou a atrofiar os outros dois. Eu como passava a vida ao pé do Tiago, eles começaram a olhar para mim como uma "penetra", porque eles estavam os três a conviver, eu não tinha nada que estar ao pé deles. Então começaram-me a afastar, combinavam as suas coisas e deixavam-me sempre de fora.


No início não ligava, porque quem era o meu amigo era o Tiago e se os outros dois combinavam coisas onde convidavam o Tiago, eu não tinha nada que ir também. Até aí tudo bem, sem problema nenhum, ele tinha os seus amigos, eu também tinha os meus, cada um combinava as suas coisas com os seus amigos. 

Comecei a ficar magoada, na altura em que combinava alguma coisa com o Tiago à frente dos outros dois e logo no instante a seguir, ele "descombinava", porque os outros dois o convidavam para alguma coisa. Coisas simples como um almoço. Eu perguntava-lhe "Então almoçamos hoje?" e ele dizia que sim sem qualquer problema. Logo a seguir, um deles dizia para ele "Vamos antes almoçar a minha casa!" e ele virava-se para mim e dizia que afinal não podia almoçar comigo. 

Sim, é um exemplo sem jeito nenhum, mas ao fim de várias situações como esta, comecei mesmo a ficar magoada com o meu amigo. Sentia que nos estávamos a afastar um do outro, já não era a mesma coisa. Basicamente, eu só conseguia conviver com ele quando os outros dois não estavam presentes, porque se estivessem, eu seria a menina "penetra". 

Sinto que estou aqui a desabafar e que o post está a ficar demasiado comprido. Vou ficar por aqui e amanhã falo sobre o resto da história.

5 comentários:

  1. Tal como o Amor, há amizades que esmorecem. É o lado pungente das relações...
    Curioso, para escutar o remate desta história.

    ResponderEliminar
  2. É muito mau quando perdemos um amigo assim, dessa forma (se é que o perdeste, fico à espera da continuação).

    ResponderEliminar
  3. Vou passar por aqui amanhã para ler o resto!

    ResponderEliminar
  4. Entendo-te muito bem!Infelizmente, ao longo dos meus já quase 44 anos, sofri muitas desilusões/humilhações assim. Olha, se queres saber, ainda esta semana!

    ResponderEliminar
  5. O sentimento de "Sentires-te a mais" na vida de alguém é muito mau...
    Espero que esse Tiago se aperceba da estupidez que anda a fazer e te peça desculpas.

    ResponderEliminar